Credo, o ano já está quase na sua metade. Estamos praticamente no mês 6. Já foi meia volta em torno do sol, e, pelo que dá pra perceber, a gente aqui no hemisferio sul tá sentindo o tranco. Ontem acho que foi o dia mais frio em 2 anos. E foi frio pra caraleo!
Agora imaginem ter que ficar durante as 2h do almoço na rua pra dirigir uma foto que insistia em ser difícil, com o vento derrubando tudo e congelando as entranhas de quem não se abrigava. E tudo isso para, no final das contas, o trabalho não ser aprovado... Fazer o que, trabalhar com criação em publicidade é viver num berço de frustrações.
Pra completar o dia de ontem, fui na academia às 20h (já que o meio dia foi perdido). Suei muito apesar do frio, quase implorando por uma pneumonia. Ao chegar em casa, uma deliciosa surpresa me aguardava: faltou água! Acho que Petropolis é o único bairro onde ainda falta água e todo mundo acha normal... Bom, incorporei meu espírito de homem medieval e tomei banho de caneca, com a água (da caixa d'agua) esquentada no fogão. Foi um exercício de humildade cosmopolita, que me fez dar mais valor às coisas comuns da nossa modernidade, como o aquecedor à gás e água corrente.
By the way, preciso de luvas. Aceito doações. Mas tem que ter todos os dedos, não como aquelas luvas de mendigo de filme americano.
Por falar em mendigo, lembrei de outra coisa. Ontem, estávamos fazendo a supracitada foto: Eu, o Diego e o fotógrafo amigo aqui da agência, o John da DBox. Bueno. Tudo corria normalmente, tirando a ventania no bairro Moinhos, e as pessoas transitavam normalmente através do nosso set (já que estávamos fotografando na calçada). A maioria passava reto, dava uma aceleradinha ao passar frente à câmera, ou até desviava. Até que passou um mendigo. Ele passou, parou, ficou olhando. Dae perguntou: É foto de que?
Explicamos do que era, de maneira relativamente branda e sem olhar diretamente pra ele, achando que com isso ele se daria por satisfeito e iria embora, e não ficaria atazanando aquela foto que já tava atrasada. Mas ele ficou. E começou a puxar assunto... E o John, que é um cara muito extrovertido e gente boa, deu corda pro rapaz. O mendigo mostrou um "artesanato" que ele fazia com latinhas de refri.
[ironia mode on] Realmente fascinante [ironia mode off].
Ressaltou que com suas ferramentas ele fazia muito mais coisas, mas haviam roubado-nas noutro dia e ele estava somente com uma tesourinha. E estava com dor de dente, alias.
O John, como é um cara muito generoso, deu 20 pila pro cara comprar as ferramentas novas, e levou, com isso, um cinzeiro da Coca-Cola. O mendigo foi-se mais rápido que a tal da ventania e nunca mais apareceu. E aquele se tornou o cinzeiro mais caro que alguém já comprou na vida.
quarta-feira, 30 de maio de 2007
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3 comentários:
Pobre do mendigo, pô... essa gente deve passar dias sem ver ninguém que dê atenção pra elas. Ou que dê vinte pila (espantar mendigos entra nos custos de produção da foto depois?)
Deve estar imbutido no cachê do fotógrafo. Esses fotógrafos e suas excentricidades...
hahahahahahahahahaha...
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