Do alto da janela do chuveiro dele dava pra ver muito bem a paisagem distante que culminava nas águas turvas do Guaíba. E nas noites limpas, um show de luzes coloridas climatizava os banhos solitários ao som de um piano-jazz no cd player, enquanto murchava gradualmente as extremidades dos dedos e desenvolvia devaneios mascarados de filosofia amorosa.
Logo ele se tornou um melancólico, um sentimental em todas as suas atividades diárias. Começou a perceber a beleza triste das coisas que só se nota com o espírito maltratado. Comprou filmes que gostava, reformou o apartamento, começou a moer o próprio café e a usar roupão. Desde que ela foi embora, ele passou a apreciar mais as roupas limpas organizadas no armário, a cama arrumada de manhã, a leitura de passagens dos seus livros no almoço. Se tornou mais gentil com os desconhecidos, passou a levantar mais cedo pra caminhar.
Não sabia se estava amadurecendo ou morrendo, se estava melhorando ou afundando mais. Mas os amigos foram categóricos: mesmo que ele volte ao normal depois, sua namorada ter viajado esse mês de férias foi o melhor que já lhe aconteceu.
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Credo, fazia muito, mas muito tempo mesmo que eu não escrevia crônica (ou o que quer que seja isso, né Samir?). Essa é mais pra esquentar os dedos. Quem sabe em breve vem mais, e com humor, como antigamente.
quarta-feira, 27 de junho de 2007
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2 comentários:
Tu tá a beira de virar emo... ehehehehh.
Ou então é o clima deprê de chuva-e-frio que tá deixando todo mundo assim.
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