terça-feira, 16 de outubro de 2007

Tommy - Parte 2

O filme Tommy é de 1975, ou seja, no auge das experimentações e locuradas psicodélicas no cinema (e na vida real também). O diretor Ken Russel conseguiu captar bem a história e as imagens criadas pelo disco do The Who, mas não foi à toa. Até porque, quem escutou a história de Tommy só pelo álbum, não conseguiu compreender certas partes, que ficam meio obscuras já que não constam nas letras, que são embaralhadas e omissas em alguns pontos. Para conseguir completar as lacunas, o diretor trabalhou ao lado de Pete Townshend, guitarrista do The Who e compositor de quase todas as músicas do álbum Tommy.

Há pequenas mudanças na história, como o deslocamento da história da 1ª Guerra para a 2ª Guerra e uma radical mudança de enredo. No filme, quem mata é o padatro e quem morre é o pai verdadeiro. O que, na minha opinião, ficou mais novelesco, mas funciona melhor.

A adaptação audiovisual ficou genial. Muitas cenas traduzem perfeitamente a sensação que a música e a temática trazem. Como em Acid Queen, onde Tommy fica preso em uma armadura de metal com seringas acopladas, com Tina Turner saracoteando pelos lados. Ou a cena do culto, com Eric Clapton tocando guitarra numa igreja que idolatra Marlyn Monroe. As referências e críticas são como um leve tempero que apimenta mais a película, deixando-a mais interessante.

As participações de artistas renomados também. Lendas, como os citados Eric Clapton e Tina Turner, além de Elton John, Arthur Brown e até Jack Nicholson fazem papeis no filme. Sem contar Roger Daltrey, que faz o papel principal, de Tommy. Alias, uma atuação impressionantemente convincente e empolgante de Daltrey, que é o vocalista do The Who. A maneira como retrata o rapaz cego, surdo e mudo é realmente atordoante, e a maneira como esbarra nos cenários é pra lá de realista.

Um ponto negativo (e se tratando de um musical, é exponencialmente negativo) são as músicas. Não as músicas originais, mas as regravações. Achei que estragaram, tirando a essência rockeira (que já não era tão forte) e deixando-as com um tom mais broadwaydiano. E o pior, os interpretes das músicas são terríveis. Cantam mal, têm vozes feias e distorcem as melodias tão bem trabalhadas por Daltrey nos seus vocais do álbum original. Mas enfim, Pete Townshend colaborou com toda a elaboração do projeto, então presumo que tenha aprovado. A única música que se salva, e que acabou ficando melhor que a original, foi Pinball Wizard, interpretada por Elton John.

No final das contas, é um filme muito legal para quem gosta de musicais, principalmente dos anos 70, e para quem gosta do The Who, principalmente de Daltrey. Mas para quem gosta do álbum em si, vale mais a pena deixa o filme no mudo e tocar o cd junto (não testei pra ver se dá sincronismo, mas provavelmente não dá...)

Mais recentemente, Tommy também virou um musical na Broadway. Mas eu não vi, então nem sei como ficou.

2 comentários:

Carolzinha. disse...

te linkei lá no meu...
quero ver se revivo aquela biroska.

e tu nem pra atualizar isso aqui, hein?! tsc tsc...


bjos

Anônimo disse...

a melhor parte é aquela onde o Tommy fica preso em uma armadura de metal com seringas acopladas e a Tina Turner saracoteia pelos lados.
hahahahaa

mas é um filme triste.
tenho que comprar