O filme Tommy é de 1975, ou seja, no auge das experimentações e locuradas psicodélicas no cinema (e na vida real também). O diretor Ken Russel conseguiu captar bem a história e as imagens criadas pelo disco do The Who, mas não foi à toa. Até porque, quem escutou a história de Tommy só pelo álbum, não conseguiu compreender certas partes, que ficam meio obscuras já que não constam nas letras, que são embaralhadas e omissas em alguns pontos. Para conseguir completar as lacunas, o diretor trabalhou ao lado de Pete Townshend, guitarrista do The Who e compositor de quase todas as músicas do álbum Tommy.
Há pequenas mudanças na história, como o deslocamento da história da 1ª Guerra para a 2ª Guerra e uma radical mudança de enredo. No filme, quem mata é o padatro e quem morre é o pai verdadeiro. O que, na minha opinião, ficou mais novelesco, mas funciona melhor.
A adaptação audiovisual ficou genial. Muitas cenas traduzem perfeitamente a sensação que a música e a temática trazem. Como em Acid Queen, onde Tommy fica preso em uma armadura de metal com seringas acopladas, com Tina Turner saracoteando pelos lados. Ou a cena do culto, com Eric Clapton tocando guitarra numa igreja que idolatra Marlyn Monroe. As referências e críticas são como um leve tempero que apimenta mais a película, deixando-a mais interessante.
As participações de artistas renomados também. Lendas, como os citados Eric Clapton e Tina Turner, além de Elton John, Arthur Brown e até Jack Nicholson fazem papeis no filme. Sem contar Roger Daltrey, que faz o papel principal, de Tommy. Alias, uma atuação impressionantemente convincente e empolgante de Daltrey, que é o vocalista do The Who. A maneira como retrata o rapaz cego, surdo e mudo é realmente atordoante, e a maneira como esbarra nos cenários é pra lá de realista.
Um ponto negativo (e se tratando de um musical, é exponencialmente negativo) são as músicas. Não as músicas originais, mas as regravações. Achei que estragaram, tirando a essência rockeira (que já não era tão forte) e deixando-as com um tom mais broadwaydiano. E o pior, os interpretes das músicas são terríveis. Cantam mal, têm vozes feias e distorcem as melodias tão bem trabalhadas por Daltrey nos seus vocais do álbum original. Mas enfim, Pete Townshend colaborou com toda a elaboração do projeto, então presumo que tenha aprovado. A única música que se salva, e que acabou ficando melhor que a original, foi Pinball Wizard, interpretada por Elton John.
No final das contas, é um filme muito legal para quem gosta de musicais, principalmente dos anos 70, e para quem gosta do The Who, principalmente de Daltrey. Mas para quem gosta do álbum em si, vale mais a pena deixa o filme no mudo e tocar o cd junto (não testei pra ver se dá sincronismo, mas provavelmente não dá...)
Mais recentemente, Tommy também virou um musical na Broadway. Mas eu não vi, então nem sei como ficou.
terça-feira, 16 de outubro de 2007
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2 comentários:
te linkei lá no meu...
quero ver se revivo aquela biroska.
e tu nem pra atualizar isso aqui, hein?! tsc tsc...
bjos
a melhor parte é aquela onde o Tommy fica preso em uma armadura de metal com seringas acopladas e a Tina Turner saracoteia pelos lados.
hahahahaa
mas é um filme triste.
tenho que comprar
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